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Ilha de Trindade - Um paraiso para poucos......

No Oceano Atlântico ocidental, em frente ao Estado do Espírito
Santo, aproximadamente na mesma latitude geográfica da sua
capital, Vitória, existe uma cadeia de montanhas e vulcões
submersos denominada Cadeia Vitória-Trindade. Os picos dessas
montanhas e vulcões chegam bem próximo da superfície,
formando bancos, conhecidos como excelentes pesqueiros oceânicos,
cujos nomes são: Bancos Vitória, Éclaireur, Montague,
Jaseur, Davis e Dogaressa..............
As bases destas montanhas e vulcões, todos inactivos, situam-se
em profundidades abissais, entre os 3000 e os 5000 metros. Na extremidade
desta verdadeira cordilheira surgem os únicos vestígios
emersos: o pequeno Arquipélago de Martin Vaz e a imponente
ilha da Trindade, que juntos formam o complexo insular mais distante
da costa brasileira, portanto, os últimos pedaços do
Brasil perdidos no Atlântico.
MAPA
A ilha da Trindade localiza-se a 20o30’sul
e 29o20’ oeste, cerca de 1160 quilómetros da costa brasilieira
e possui 9,2 km2 de área emersa, enquanto o pequeno Arquipélago
de Martin Vaz dista 48 km para leste da Trindade e tem 2,5 km2 de
área emersa. O relevo de Trindade é bastante irregular,
abrupto e acidentado, sendo que o cume da ilha é o Pico do
Desejado com 620 metros de altitude.
O clima é oceânico tropical, com temperatura
média anual de 25oC, amenizada por ventos alísios de
leste e sudeste. O mês de fevereiro é o mais quente do
ano (30,2o C) e agosto o mais frio (17,3o C). Quase todos os dias,
principalmente no verão, ocorrem chuvas rápidas, que
em geral duram menos de 5 minutos e recebem a denominação
local de “pirajás”. Essas chuvas são de
extrema importância tanto para a fauna como para a flora terretres
da ilha, bem como para a guarnição da Marinha do Brasil
e os pesquisadores que ali residem periodicamente, pois os “pirajás”
abastecem o lençol freático e, consequentemente, diversas
fontes de água potável que brotam por toda a ilha. A
principal fonte, situada na Enseada dos Portugueses, possui uma vazão
estimada de 230 mil litros por dia – facto impressionante para
uma ilha oceânica de tais proporções.

As
águas que circundam a ilha pertencem à Corrente do Brasil,
caracterizada por apresentar alta salinidade (~37%o) e temperatura
(~27oC). A visibilidade da água pode chegar aos 60 metros,
oferecendo condições extremamente favoráveis
para os investigadores que utilizam técnicas de observação
subaquáticas nas suas pesquisas.
História geológica de Trindade
A história geológica da ilha da Trindade tem o seu início no Cretáceo (há cerca de 117 milhões de anos). A formação desta ilha ocorreu numa região de intenso vulcanismo, devido a uma imensa infiltração de lava através de uma falha perpendicular à Crista Médio Atlântica. O afloramento da ilha decorreu entre 3 e 3.5 milhões de anos atrás, e segundo alguns geólogos, a actividade vulcânica teve sua derradeira manifestação há apenas entre 5 e 10.000 anos. Actualmente, Trindade é uma sucessão de colunas e paredes de um gigantesco edifício vulcânico em ruínas, não possuindo semelhança com a geologia costeira do Brasil.
Além da erosão natural através dos ventos, das chuvas e de abalos sísmicos (que ainda ocorrem na ilha), o solo foi e ainda é prejudicado pela ação das cabras.
