Equilibrio e lastreamento

Embora haja diferenças fundamentais de indivíduo para individuo, o homem flutua na superfície quando tem os pulmões cheios de ar. Mas quando ele começa a mergulhar, o ar contido nos pulmões, sendo um gás, portanto sujeito à compressão conforme a lei de Bolye e Mariotte, reduz seu volume progressivamente.


Já vimos que em 10 metros de profundidade este volume é reduzido pela metade. Pelo princípio de Arquimedes, a redução de volume do corpo humano provoca uma menor quantidade de líquido deslocado e, conseqüentemente, um menor empuxo de baixo para cima. Em outras palavras, o corpo humano aumenta sua densidade e o seu peso em relação à água. A flutuabilidade que ele tem na superfície vai rapidamente diminuindo e, em uma determinada profundidade, some totalmente. O peso especifico do corpo fica exatamente igual ao da água na qual está imerso.

 

 

 

 



Nesta profundidade, chamada quota de equilíbrio, o corpo humano não sobe nem desce, enquanto, além da quota de equilíbrio, a tendência é ir para o fundo. Em que profundidade vamos encontrar a quota de equilíbrio? A profundidade é diferente de individuo para individuo, mas entre a maioria dos mergulhadores ela se situa entre os 10 e 12 metros.

Acima da quota de equilíbrio, se o mergulhador ficar inerte, voltará sempre a superfície, enquanto abaixo esta quota, ele será levado inexoravelmente para o fundo. Este fenômeno é de grande importância para a segurança e para a própria mecânica do mergulho. A natureza nos deu uma ampla faixa de segurança, de mais ou menos 10 metros de profundidade, dentro da qual, qualquer acidente mecânico ou fisiológico que possa provocar um desmaio terá conseqüências bem menos graves, porque de qualquer modo o corpo voltará à superfície.


O excesso de lastro provoca um aumento da densidade e do peso do corpo humano, colocando a quota de equilíbrio bem mais próximo da própria superfície e as vezes acima dela. Evidentemente, o excesso de chumbo facilita as coisas para o mergulhador no inicio do mergulho, ele não precisa esforçar-se muito para vencer a flutuabilidade natural do corpo humano. Em compensação, a economia de forças obtida no inicio do mergulho será paga com um dispêndio de forças equivalente na volta à superfície, quando o mergulhador deverá vencer o empuxo negativo provocado pelo excesso de peso.



Fontes : Super Sub (Santarelli) / Caça Sub - Fundamentos e Técnicas